Os planos para redução de emissões de carbono contam com a certeza da existência de uma fonte inesgotável de energia, o sol. Além disso, a utilização da conversão fotovoltaica de energia habilita uma estratégia de longo prazo para resolver a alta volatilidade dos custos de geração de energia elétrica de outras fontes, como a fonte hidráulica que impacta o Brasil.A crise energética e a imprevisibilidade dos preços da energia afetamos fundamentos da economia e o setor produtivo, tornando-se as principais preocupações dos empresários e investidores no mercado brasileiro.

Energia Solar

A Energia Solar como energia limpa, de fonte renovável e sustentável, deve substituir as fontes com base em combustíveis fósseis, contribuindo com a melhora das condições climáticas no planeta.O governo dos Estados Unidos divulgou há poucas semanas um relatório que afirma que a energia solar pode responder por 40% da eletricidade produzida no país em 2035.O documento apresenta, por exemplo, várias medidas que os EUA devem tomar para atingir esses níveis, como a instalação de 30 GW por ano de geração de energia solar entre 2021 e 2025. Depois, entre 2025 e 2030, essa cifra será elevada para 60 GW anuais.

O Reino Unido também anunciou medidas nesse sentido; estabeleceu como objetivo ter uma matrizenergética com 100% de energia limpa até 2035. Atualmente, o país obtém grande parte de sua energia de fontes renováveis, como a eólica e a solar, e praticamente encerrou o uso do carvão. No entanto, os britânicos continuam fortemente dependentes do gás natural.

No Brasil, de acordo com o Plano Nacional de Energia (PNE 2050), do Ministério de Minas e Energia, o futuro aponta para as fontes renováveis e que reduzam a dependência da frequência de chuvas. As matrizes eólicas e solar ganham protagonismo nesse caminho. A fonte solar fotovoltaica, por exemplo, pode atingir em 2050 o total de 90 GW, em termos de capacidade instalada, e 26 GW médios, assumindo relevância na matriz energética e substituindo outras fontes gradualmente, representando 16% da capacidade instalada total e 12% em termos de energia total. Contudo, comparado às metas do Reino Unido, isso ainda é muito pouco. O Brasil tem um território maior e um potencial de irradiação muito maior.

Volatilidade e Impactos econômicos

A batalha com os preços da energia não é novidade para quem administra um negócio. As empresas planejam a compra de energia com antecedência e para isso estimam um valor. No primeiro momento, todos buscaram alternativas para reduzir o custo da energia. O próximo passo no racional estratégico das empresas é a busca por estabilidade. Com os impactos ambientais, já não existe mais um período certo para chuvas ou estiagem.

Os impactos na economia já começam a ser sentidos. Somente em 2021, os preços da energia aumentaram mais de 20% e a tendência é de continuar subindo consideravelmente acima da inflação. Historicamente, a política de preços tem sido um complicador na vida de todos, muito mais para as indústrias e grandes companhias.

Em contrapartida, o custo da energia solar tem caído em todo mundo, permitindo redução de até 30%, dependendo do tipo de consumo e indústria. Aqui, o potencial de redução de custos também existe, com a vantagem de que o país reúne condições climáticas e extensão muito mais favoráveis que nos demais países. Temos sol quase o ano inteiro, que juntamente com os incentivos regulatórios, pode alimentar uma demanda crescente.

Oportunidades para o Brasil

O Brasil registra um consumo de eletricidade maior a cada mês; registrando 40.593 GWh, o maior valor para o mês em toda a série histórica, desde 2004. O consumo de agosto desse ano subiu 3,6% em relação a agosto de 2020. Comércio e indústria estão liderando esse avanço. Com exceção do Centro-Oeste (-0,5%), todas as regiões geográficas do Brasil aumentaram seu consumo de energia elétrica em agosto. A baixa produção das hidrelétricas está exigindo o acionamento das usinas termelétricas, que operam principalmente com gás natural – recurso com custo de operação bem maior. Soma-se a tudo isso o momento de crise – ee promover a recuperação econômica, muitas empresas reabrindo, indústrias retomando a capacidade produtiva. A conta não fecha.

Somos o único país geograficamente grande com PIB superior a US$ 1,5 trilhão em que a penetração da energia solar em escala de utilidade é inferior a 2%, apesar de seu potencial climático excepcional para este tipo de energia renovável. O total de instalações solares no Brasil mais que dobrou desde 2019, apesar da pandemia. Não à toa, as fontes sustentáveis atraem o olhar analítico e investimentos de peso. A demanda é alta, o mercado tem muito fôlego e a natureza nos ajuda. Se por um lado a seca provoca a crise nas hidrelétricas, por outro, existe um potencial enorme no uso da energia solar.

As projeções são positivas. Segundo a Absolar, estudos de diferentes setores profissionais apontam que a fonte solar fotovoltaica deverá trazer para o Brasil cerca de R$ 139 bilhões em investimentos até 2050 e gerar mais de 147 mil novos empregos até o final de 2021. Temos de considerar a busca por investimentos em empresas alinhadas ao ESG. Quanto mais trabalharmos com fontes limpas maior nossa capacidade de conquistar investidores.
No Brasil, as metas não sãoclaras, mas o caminho estratégico é mais evidente. O país deve avançar consideravelmente em termos de política industrial e regulatória para acelerar o processo de ter uma matriz com ainda mais fontes renováveis, reduzindo a dependência do regime de chuvas. Com tanta imprevisibilidade, a única certeza é o Sol.

Nossa torcida e empenho é para que essa realidade mude consideravelmente nos próximos anos. Bom para o setor produtivo, bom para a economia, para as pessoas e para o meio ambiente.

Fonte:http://investimentosenoticias.com.br/noticias/artigos-especiais/a-certeza-do-sol-para-minimizar-impactos-da-crise-energetica