empestades de areia no interior paulista e em cidade desértica chinesa, calor extremo no Canadá, enchentes intensas na Alemanha: esses são apenas alguns dos eventos climáticos desastrosos que o mundo sofreu em 2021. Todos eles têm algo em comum: são consequência do avanço acelerado das mudanças climáticas, decorrente do aquecimento médio do planeta de 1,1ºC. É ainda mais assustador de se pensar que o relatório mais recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas (ONU) demonstra que o planeta pode atingir ou exceder sua temperatura global em até 5,7ºC até 2100, se continuarmos em um modelo de alta emissão de carbono, provocando resultados catastróficos.

Com este desafio à frente, lideranças globais concordam que o mundo precisa caminhar para um novo modelo econômico que seja capaz de combater as mudanças climáticas – o desenvolvimento sustentável. Nele, a geração econômica se dará a partir da própria preservação ambiental e do desenvolvimento de produtos e serviços que sejam sustentáveis em sua produção, venda e consumo. Essa necessidade leva os mercados internacionais a outro desafio: a criação de trabalhos verdes, isto é, a geração de empregos multisetoriais em que a regeneração da natureza é um dos pilares primordiais do próprio trabalho.

Enquanto esse é um grande desafio para países que cresceram suas economias através da exploração industrial e alta emissão de carbono, pode ser uma grande oportunidade para o Brasil. Como maior território global em fauna e flora, nosso país pode se tornar uma potência verde mundial, exportando serviços ambientais e tomando a dianteira da agenda econômica internacional deste século.

A fim de entender um pouco mais sobre o que são os trabalhos verdes e como o nosso país (e o mundo) pode se beneficiar disso, nossa equipe de caça níqueis da Betway desenvolveu uma série de infográficos sobre o assunto. Confira!

Quando se pensa em geração de empregos verdes, há uma predisposição natural de imaginar oportunidades ligadas ao setor energético, de transportes renováveis e de restauração florestal, por serem áreas que têm como seu objetivo primário a geração de uma economia de carbono zero. “É instantâneo pensar (nesses setores), pois são mudanças estruturais que precisam ser feitas”, explica Flávia Bellaguarda, mestre em Desenvolvimento Internacional em Justiça Climática pela Universidade de Birmingham, em entrevista exclusiva à Betway. “Algumas áreas acabam sendo mais urgentes que outras devido ao impacto que elas causam”.

Nesse cenário, o Brasil se beneficia, pois nas últimas duas décadas, destacou-se como vanguarda na preservação ambiental. O IPCC considera a redução do desmatamento no Brasil entre 2004 a 2012 como a maior contribuição de um país ao combate contra o aquecimento global. Entre 2003 e 2009, nosso país respondeu por 75% da ampliação das áreas protegidas de todo o mundo, criando e protegendo territórios indígenas, parques e florestas nacionais e reservas extrativistas.

No entanto, não é apenas na restauração florestal que o Brasil se destaca comparado ao cenário internacional. Enquanto mundialmente se aposta apenas 10,46% de toda a matriz energética em fontes renováveis, aqui esse investimento é bem maior: elas correspondem a 43,3% da nossa energia, segundo dados de 2019 e 2017, respectivamente, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA).

Essa aposta pode se provar uma grande oportunidade de geração de empregos, como solução à pobreza crescente no Brasil e no mundo. Dados de fevereiro deste ano da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que 27 milhões de brasileiros estão em situação de pobreza. E até 2016, cerca de 2 milhões de pessoas já estavam trabalhando no setor de energias renováveis em toda a América Latina, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) da ONU. Há uma oportunidade clara de retomada do emprego a partir deste setor. Mas para isso, são necessários investimentos.

Fonte:https://economia.ig.com.br/2021-11-21/empregos-verdes-brasil.html