O agronegócio tem grande potencial de se beneficiar do mercado de carbono, uma vez que pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, ao mesmo tempo, sequestrar carbono da atmosfera e armazená-lo no solo, trazendo ganhos ambientais ao ecossistema e financeiros aos produtores rurais. Isso porque o sequestro de carbono na agricultura pode se dar pela produção de biomassa, seja da parte aérea das plantas, ou pela incorporação de matéria orgânica no solo, pelas raízes, e de biomassa remanescente do cultivo anterior.

Os GEE são emitidos tanto na produção agrícola quanto na pecuária. Alguns exemplos: a queima de combustíveis fósseis, a emissão do metano ruminal pelo gado, mas também na fabricação dos insumos utilizados (fertilizantes, defensivos, sementes). Quaisquer mecanismos de gerenciamento do uso desses insumos auxiliam a monitorar a eficiência ambiental da lavoura, seja pela pegada de carbono, hídrica, entre outras. É aí que entra a agricultura de precisão e digital, pois o monitoramento da produtividade e do uso de recursos também pode trazer elementos para a determinação do sequestro de carbono.

Segundo dados do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), de 2019, é possível estocar até 8,6 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano nas terras cultiváveis e pastos do planeta. Nesse cenário, o agro brasileiro se destaca pela alta mecanização e implementação de tecnologias de agricultura de precisão, somada à adoção de boas práticas de manejo de solo e iniciativas para diminuir o uso ou reutilizar os recursos naturais. Com recomendações, ferramentas, tecnologia, adoção de práticas sustentáveis para o uso eficaz do solo e melhor manejo das áreas produtivas, o agricultor aumenta sua produtividade, gerando um saldo positivo de carbono.

Contudo, o grande desafio para o setor é mensurar o volume capturado do carbono retido no solo de forma a ser economicamente viável. Atualmente, existem protocolos de verificação para projetos que visam neutralizar a pegada de carbono no setor florestal, como os padrões Verra, CCB e Social Carbon. O Renovabio, política nacional de biocombustíveis instituída pela Lei 13.576, de 2017, e, posteriormente, a criação do CBio, que tem o objetivo de mensurar o sequestro de carbono na produção de biocombustíveis, trouxeram o tema para o setor agrícola, principalmente o sucroenergético. Porém, este ainda está em implantação e não aborda a questão da produção de eletricidade pela cogeração das usinas e nem o potencial de produção de biogás, como substituto ao óleo diesel, alvo de estudo de diversas montadoras de máquinas agrícolas e caminhões.

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), por exemplo, estão sendo desenvolvidos estudos de pegadas ambientais (carbono, hídrica e de energia de máquinas agrícolas e de sistemas de produção) pelos laboratórios de Gestão Sistêmica e Sustentabilidade e de Agricultura de Precisão, agregando essa abordagem aos trabalhos tradicionais de AP. Os pesquisadores estão desenvolvendo uma certificação ambiental baseada em dados digitais para facilitar os aspectos ambientais e econômicos do setor agrícola.

Fonte:https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Opiniao/Vozes-do-Agro/noticia/2022/01/agricultura-de-precisao-pode-ser-entrada-para-o-mercado-de-carbono.html