Ninguém gosta do mensageiro que traz más notícias, disse o dramaturgo Sófocles há quase 2500 anos. É um alívio, portanto, que nestas 10 previsões para este ano, a BNEF esteja trazendo uma mensagem positiva sobre o provável progresso mundial em 2019 em direção ao que chamamos de um “futuro mais limpo”.

Esperamos que a transição para o baixo carbono avance de forma constante este ano, estimulada por reduções sem contrição nos custos de eletricidade solar e eólica e de baterias de íons de lítio – e também pela crescente percepção por parte de investidores e corporações de que esta “tal sustentabilidade” é real e, por razões de interesse próprio, devem adotá-la.

Se “constante” soa monótono, então é improvável que seja – já que 2019, pelo menos visto de meados de janeiro, tem todas as características de ser um ano turbulento na esfera mais ampla da economia e política. Neste contexto, “constante” significa resiliente, um porto seguro.

Para mencionar algumas das nuvens negras no horizonte de 2019, temos a recente queda de quase 20% no índice S&P 500 nos três meses até 26 de dezembro, em face da desaceleração do crescimento do PIB global. Bem, os mercados financeiros são famosos por prognosticar mais recessões do que realmente temos, mas isso serve pelo menos como um sinal de alerta. Também há outras nuvens negras: do ponto de vista de meados de janeiro, é difícil não se sentir desconfortável com o risco de uma crise política nos EUA, enquanto a Câmara liderada por democratas investiga o presidente Donald Trump, ou uma crise na Europa desencadeada pela política econômica italiana, ou por um Brexit desordenado. Ah, e há as tensões econômicas cada vez mais visíveis em uma China saturada de dívidas.

Turbulência econômica e política em 2019 pode influenciar o fluxo de investimentos no “futuro mais limpo”, mas estes não vão parar. Na verdade, espero que este ano veja mais inovações do que nunca em desafios como por exemplo equilibrar um sistema elétrico eólico/solar pesado, tornar investíveis as energias renováveis com subsídio zero e descarbonizar a energia térmica.

Abaixo, apresento as 10 previsões da BNEF para 2019, englobando energia limpa em geral, solar e eólica, armazenamento de bateria, veículos elétricos, gás natural dos EUA, GNL internacional, mercados de petróleo, digitalização e energia na China – tudo diretamente dos teclados dos meus colegas que gerenciam as respectivas equipes de analistas.

Outra panaceia de Sófocles é: “Muitas vezes, um ditado curto contém muita sabedoria.” Infelizmente, não posso prometer cumprir isso neste artigo, certamente não na brevidade. Mas por favor, tenha paciência.

1. Custos menores, menor investimento em dólar

A cada ano, o investimento em energia limpa tem que ‘correr mais rápido para ficar parado’. Isto é, com os custos de energia eólica e, particularmente, os de energia solar caindo constantemente, o mundo necessita de cada vez mais capacidade apenas para igualar o investimento total do período anterior. Geralmente conseguimos controlar isso: por exemplo, a capacidade agregada aumentou fortemente em 2017 e os investimentos em dólares também tiveram alta. No entanto, apenas a capacidade aumentou em 2018. Espero que esse seja novamente o caso em 2019.

Devemos obter mais gigawatts de energia eólica e solar instalados este ano do que no passado (ver previsões 2 e 3), mas os custos de capital solar caíram nitidamente em 2018 – em cerca de 12% – quando fabricantes reduziram os preços dos módulos em virtude de um excedente. Além disso, 2018 foi um ano excelente para a eólica offshore de alto valor, com US$25,7 bilhões investidos graças a cinco projetos europeus na faixa de 1 a 3,5 bilhões de dólares e nada menos que 13 matrizes em águas chinesas. Será difícil superar este total em 2019, apesar da perspectiva otimista de médio prazo (ver previsão 3). O mais provável é que 2019 ficará ligeiramente abaixo do ano anterior. Além disso, a instabilidade no mercado de ações pode sinalizar que os investimentos do mercado público em energia limpa não atingirão os US$10,5 bilhões de 2018.

Portanto, espero um 2019 respeitável para investimentos em energia limpa, próximo de alcançar US$300 bilhões pelo sexto ano consecutivo, mas não correspondendo aos US$332,1 bilhões do ano passado. (Veja nosso comunicado à imprensa publicado hoje.)
– Angus McCrone

2. Incorporações solares sobem apesar da China

A BNEF calcula que instalações solares em 2018 totalizarão cerca de 109 GW, uma vez que os números finais serão divulgados nas próximas semanas. O ano adiante provavelmente terá um crescimento na faixa de 125 GW a 141 GW. A Europa voltou a produzir mais energia solar fotovoltaica, e a Índia, o Oriente Médio, o Norte da África e a Turquia continuam expandindo seus desenvolvimentos.

O maior mercado fotovoltaico do mundo, a China, está em desarranjo enquanto o governo tenta reconciliar o apoio solar futuro com um déficit de 150 bilhões de yuans (US$ 23,4 bilhões) no fundo de energia renovável no final de 2017. Entretanto, novos países realizam leilões e licitações o tempo todo para comprar energia solar com boa relação custo-benefício, embora os governos que esperam estabelecer novos recordes possam ficar desapontados em 2019. Melhorias incrementais de custo e desempenho continuarão, mas a grande queda de preços do ano passado, devido à súbita desaceleração chinesa, não se repetirá. Algumas empresas podem sair do mercado à medida que o setor de manufatura de módulos se torna ainda mais competitivo. Tecnologias vistas na mídia incluirão painéis solares flutuantes, bifaciais e que combinam armazenamento em escala de utilidade com energia solar.
– Jenny Chase, diretora de energia solar

3. Mais consolidação na energia eólica onshore

O mercado eólico está preparado para ver um salto em nova capacidade agregada, de 53.5 GW em 2018 para mais de 70 GW em 2019, com o Norte da Europa, a China e os EUA impulsionando o elemento onshore, com muitos dos projetos já financiados em 2018. As incorporações offshore devem aumentar de 4.8 GW para 8.5 GW.

Na eólica offshore, a Europa deve introduzir 4.9 GW em 2019, em comparação com 3.5GW na Ásia, ambos dados recordes. Este será o último ano antes que a Ásia assuma como o principal mercado, instalando 25% mais capacidade do que a Europa durante a década de 2020, segundo nossas previsões. A energia eólica offshore é a tecnologia ‘essencial’ de 2019, impulsionada por quedas de preço atraentes e uma escala inspiradora.

Na eólica onshore, os preços das turbinas caíram acentuadamente. Desde dezembro de 2016, houve queda de 17% de acordo com o Índice 2018 BNEF Wind Turbine Price. Projetamos uma estabilização temporária pouco abaixo de US$0,8 milhão por MW em 2019. Apesar disso, o ano será um momento decisivo para os fabricantes de turbinas eólicas onshore e seus fornecedores. Para preencher pedidos nos últimos dois anos, participantes do setor fizeram apostas agressivas na economia de custos e ganhos de eficiência que poderiam alcançar. Estas apostas estão sendo concretizadas. Isso provavelmente levará a novos cortes e consolidação, especialmente na China e na Índia.
– David Hostert, diretor de energia eólica

4. O armazenamento de energia excederá em 10 GWh pela primeira vez

O armazenamento global de energia solar anual em 2019 excederá 10 GWh pela primeira vez na história do mercado. Isso inclui tanto ativos em escala de utilidade quanto os ‘por trás do medidor’, e será superior aos 8 GWh (ou 4 GW) estimados do ano passado provenientes de novas instalações.

Fabricantes chineses de baterias estabelecerão uma presença verdadeiramente global, apesar da ameaça de disputas comerciais. Empresas automotivas expandirão relações com fornecedores chineses enquanto amplificam as vendas naquele país. Desenvolvedores e integradores de armazenamento de energia internacional irão à China em busca de baterias, já que o mercado doméstico coreano mantém seus apoiadores ocupados. A competição acirrada e a recente flexibilização dos custos de cobalto e lítio pressionarão os preços médios para menos de US$150/kWh, ficando aquém da curva de experiência, enquanto os preços das baterias de veículos elétricos cairão ainda mais. No final de 2018, os preços das baterias atingiram uma baixa recorde de US$176/kWh.
– Logan Goldie-Scot, diretor de armazenamento de energia

5. Vendas de veículos elétricos aumentaram em “apenas” 40%

Atualmente, há quase 5 milhões de veículos elétricos de passageiros em circulação no mundo (mais de 5 milhões incluindo ônibus e outros veículos comerciais). Esperamos que outros 2,6 milhões sejam vendidos em 2019. Isso representará uma taxa de crescimento de 40%, abaixo da taxa de 70% em 2018. A China voltará a liderar, com cerca de 1,5 milhão destas vendas, representando cerca de 57% do mercado global.

O mercado chinês está em transição, e a recente tendência de duplicação das vendas a cada ano parece improvável em 2019. Esperamos que os subsídios sejam cortados em fevereiro, com o período de corte se estendendo até o final do segundo trimestre. A quota do ‘veículos de energia nova’ (NEV, na sigla em inglês) entra em vigor este ano, mas os requisitos para 2019 são relativamente modestos. Fatores macroeconômicos mais amplos (taxas de juros mais altas e desaceleração do consumo) também afetarão as vendas globais. Em mercados como os EUA e o Reino Unido, subsídios de compra direta já estão começando a diminuir.

Esperamos que as vendas europeias de veículos elétricos totalizem pouco menos de 500.000. O crescimento deve ser forte nos países nórdicos e na Alemanha. As vendas na Itália têm sido lentas, mas devem começar a crescer em 2019, enquanto as vendas no Reino Unido devem ser estáveis ou decrescentes após o governo ter eliminado o apoio a modelos populares de híbridos plug-in. As vendas na América do Norte devem atingir cerca de 425.000, subindo modestamente de 405.000. A chegada do Tesla Model 3 impulsionou as vendas do segundo semestre de 2018, mas será difícil manter este ímpeto, a menos que um modelo de custo mais baixo possa ser introduzido rapidamente. As vendas no Japão e na Coréia do Sul combinadas devem ficar em torno de 100.000.
– Colin McKerracher, diretor de transportes avançados

6. Nova infraestrutura para impulsionar as exportações de gás dos EUA

A BNEF espera que a referência de preços do gás natural norte-americano Henry Hub fique em média entre US$2,50 e US$3,50 por milhão de British Thermal Units (MMBtu) em 2019, dependendo de como o clima se comparar ao normal. Mais uma vez, espera-se que a crescente demanda no Sul seja atendida por uma produção mais forte no Nordeste.

2018 foi um ano de desbloqueio de volumes adicionais de gás natural da bacia dos Apalaches com destino ao Centro-Oeste. O impacto a montante foi o aumento dos preços da bacia, o que suportará o crescimento decorrente da produção em 2019. O impacto a jusante foi a queda nos preços no Centro-Oeste, e uma vantagem competitiva mais forte para o gás natural em uma região historicamente produtora de eletricidade a carvão. Esta expansão do gás natural no Centro-Oeste americano continuará em 2019.

No sul, a produção da bacia de Permian, no oeste do Texas, continuará restrita, já que a nova capacidade midstream para o transporte de gás à Costa do Golfo não deve entrar em operação até 2020. Portanto, os preços baixos do gás devem prevalecer no oeste do Texas em 2019. Contudo, minha expectativa é que as exportações do Golfo se beneficiem de três novas adições: 1) uma segunda unidade de liquefação no terminal de GNL da Cheniere em Corpus Christi, Texas 2) o comissionamento de outras três novas instalações de exportação de GNL e 3) a conclusão de um gasoduto submarino de 2.6 Bcfd para exportar gás para o México.
– Laurent Key, diretor de gás da América do Norte

7. GNL deve crescer fortemente pelo terceiro ano

A demanda mundial de GNL avançou 10% em 2018, atingindo 313 milhões de toneladas por ano – apesar dos preços mais elevados de GNL (média de US$10/MMBtu) do que 2017 (média de US$7/MMBtu). Em 2019, esperamos que o comércio mundial de GNL se expanda em mais 8%, atingindo 340 MMtpa.

A China continuará sendo o principal propulsor graças à sua política de redução da poluição causada pela queima de carvão. O Sul e o Sudeste Asiático continuarão a ver o aumento de suas importações de GNL devido à demanda por gás mais potente, expansão da infraestrutura e à queda da produção de gás natural. Com a reativação de seu processo nuclear mais lenta do que o esperado, o Japão assumirá volumes contratados de seus recém-encomendados projetos de fornecimento de GNL na Austrália. A Europa aumentará suas importações ainda mais, pois atualmente aparenta ser um destino mais lucrativo do que a Ásia para a produção dos EUA. Em 2018, a Europa importou mais 6 MMt de GNL, atingindo um total de 50 MMtpa, o maior desde 2011.

A demanda está sendo apoiada pelo nível de preço relativo do GNL (em grande parte influenciado pelos preços do petróleo e do Henry Hub) em comparação com os preços do carvão. A persistente alta nos preços de futuros de carvão (US$90-100/t), devido à oferta restrita, faz da importação de GNL uma opção atraente. Os 30 MMt adicionais de nova capacidade de fornecimento de GNL programados para entrar em operação em 2019 serão mais que suficientes para apoiar o crescimento da demanda antecipada e manter os preços do GNL em cheque no mercado à vista.
– Maggie Kuang, diretora de GNL global

8. Preço do petróleo mais sólido no Irã, Fed, expedições

O petróleo bruto teve um 2018 turbulento. Tanto o Brent quanto o WTI subiram gradualmente durante os primeiros nove meses do ano, mas perderam todos os seus ganhos no quarto trimestre, encerrando o ano em 19% e 26%, respectivamente. Esta volatilidade foi impulsionada pela crescente produção norte-americana, sanções dos EUA ao Irã e pela incerteza em torno da reação da OPEP à queda dos preços. Tais fatores estão sendo agravados pelos crescentes riscos macroeconômicos.

Estes motores da volatilidade do preço do petróleo continuarão em 2019, mas esperamos que o petróleo finalize o ano em território positivo, uma vez que a resolução renovada da OPEP coincide com a expiração das derrogações às sanções norte-americanas às exportações de petróleo do Irã. Caso uma postura mais pacífica do Federal Reserve faça com que o dólar ceda parte de seus ganhos de 2018, e os riscos pairando sobre mercados emergentes devido às tensões comerciais entre EUA e China diminuírem, esperamos que os preços do petróleo se recuperem ainda mais.

Um risco positivo adicional para o petróleo bruto é a instauração iminente do limite global do conteúdo de enxofre da Organização Marítima Internacional a partir de 1º de janeiro do próximo ano. É provável que isso aumente a demanda por destilados médios, o que exigirá um aumento em operações de refinaria e aumentará a demanda por petróleo tipo Brent.
– Richard Chatterton, diretor de análise da demanda por petróleo

9. O setor industrial não poupa despesas em IoT

Fabricantes de equipamentos industriais atualmente gastam bilhões de dólares em Internet das Coisas, inteligência artificial, automação de ativos, robótica e sensores. Isso os ajudou a garantir uma pequena parcela de sua receita com a venda de software digital para clientes existentes. Contudo, a ambição de empresas como GE, Siemens, Hitachi, ABB e Schneider era muito maior do que isso, e foi amortecida em parte devido à forte concorrência de startups de software e grandes gigantes da tecnologia.

O setor industrial geralmente não tem os melhores ou mais baratos produtos de software de IoT, e a compra de software de fabricantes de equipamentos não é uma opção ideal para os clientes. Em 2018, Schneider e GE transformaram seu IP de tecnologia digital em empresas independentes – a Schneider colocou seu software de ativos na Aveva (da qual agora detém 60%), e a GE anunciou em dezembro a criação de uma entidade independente ainda sem nome. A Schneider buscou criar uma empresa de software mais ágil que pudesse comercializar para novos clientes. A GE pode realizar o mesmo, mas seu objetivo de curto prazo era mais defensivo – aparar o foco amplo da empresa controladora industrial.

A BNEF espera que, em 2019, outras grandes empresas industriais invistam pesadamente em suas plataformas digitais, por meio de aquisições, fusões e investimentos de risco. A maioria provavelmente dobrará a aposta na transformação digital, em vez de desmembrar empresas de software. Em dezembro do ano passado, a ABB vendeu seu negócio de rede para a Hitachi, a fim de se concentrar mais em software, automação e robótica. Esperamos outros investimentos significativos em IoT por parte de Siemens, Toshiba, Hitachi, Honeywell e Rockwell Automation, com foco em fusões e aquisições.
– Claire Curry, diretora de pesquisa na indústria digital

10. Avanços na extensa transição energética da China

Embora a China continue sendo a maior implantadora mundial de nova capacidade de energia renovável, os 40 GW de energia solar e 20 GW de energia eólica previstos para este ano não vão quebrar nenhum recorde anterior. Em vez disso, espere por mudanças sutis, mas muito mais significativas, que irão remodelar o maior sistema de energia do mundo.

O principal dilema do governo é como garantir que as indústrias de energia eólica e solar do país continuem a prosperar com uma demanda interna forte sem depender de contratos de oferta padrão dispendiosos. O objetivo é propelir a energia renovável em direção à paridade com a rede do atacado (que na China é definida como a paridade com os projetos de energia predominantemente a carvão de cada província), de modo que deixe de se basear em subsídios.

O novo esforço mais significativo para isso é o deslocamento de pico, que é incentivar usinas térmicas a reduzir sua produção para permitir uma distribuição de energia mais renovável. Em outras palavras, usinas a carvão agora devem abrir caminho para a energia eólica e solar. O governo quer implementar isso em todo o país em 2019.

Outras medidas para garantir maior distribuição renovável são mais conhecidas, incluindo a construção de mais projetos próximos a centros de alta demanda (como energia solar de telhado ou eólica distribuída), disponibilizando fontes mais flexíveis (como usinas hidrelétricas, centrais de carvão reformadas ou armazenamento de energia), novas linhas de transmissão e aplicação do padrão de portfólio de energia renovável.

A China está se tornando como qualquer outro mercado de energia, onde o principal desafio em relação às energias renováveis não é como construir mais delas, mas como integrar o que já existe em um sistema limpo, confiável e barato.
– Nannan Kou, chefe de pesquisa na China

Então aí está, 10 Previsões para 2019. Não incluímos uma previsão sobre as emissões mundiais no ano. Sobre isso, muito dependerá se a economia mundial será abalada. No entanto, a BNEF enxerga uma ampliação no esforço para reduzir as emissões e trabalhar em prol de um “futuro mais limpo”. É por isso que construímos novas equipes de análise, abrangendo áreas como sustentabilidade corporativa, finanças sustentáveis, energia térmica, digitalização, demanda por petróleo e novos materiais. Você pode esperar mais informações sobre estas áreas em 2019.