SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira (6) é de queda expressiva para as principais bolsas mundiais, com os investidores à espera dos dados de trabalho no setor privado nos EUA nesta manhã, antes da divulgação do Relatório de Emprego de setembro na sexta-feira (8). A grande preocupação segue com a crise de energia, em meio à alta dos preços de gás na Europa. O gás natural no continente já subiu 400% desde o início deste ano.

Além disso, “sinais de que o petróleo deve continuar sua escalada de alta e o abandono do governo Joe Biden à extração do óleo de xisto nos EUA incrementam os temores de que a inflação de energia se firme como o novo elemento de disrupção no mercado”, destaca a Infinity Asset.

Já na agenda econômica nacional, atenção para os dados de vendas de varejo de agosto após os dados de indústria piores do que o esperado.

Atenção ainda para o noticiário político. Na terça, o relator Roberto Rocha (PSDB-MA) apresentou uma nova proposta de reforma tributária, mais abrangente que as anteriores. A proposta de emenda à Constituição (PEC) 110 representa uma ampla reforma de impostos que incidem sobre o consumo, com a unificação de tributos federais, estaduais e municipais.

Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos e as bolsas europeias têm um recuo expressivo nesta quarta-feira, após reverterem perdas na véspera. Os mercados asiáticos registraram baixa em sua maioria com o aumento do mau humor na sessão com o avanço do rendimento dos títulos dos EUA, em meio a preocupações com a crise energética.

Estados Unidos

Às 9h15 (horário de Brasília) desta quarta serão divulgados dados da ADP sobre empregos no setor privado relativos a setembro nos Estados Unidos, que devem trazer novos sinais sobre o ritmo de recuperação da economia do país.

Na terça, as bolsas americanas tiveram altas. Nove dos 11 setores cobertos pelo S&P fecharam em território positivo. O Dow avançou 0,92%; o S&P teve alta de 1,05%; e o Nasdaq teve alta de 1,25%.

Ações de grandes empresas de tecnologia fecharam em alta na terça-feira, após quedas na sessão anterior. Após a falha que retirou do ar as redes sociais Facebook, WhatsApp e Instagram, que levaram na segunda a fortes quedas dos papéis da proprietária, também chamada de Facebook, a companhia continuou sob holofotes na terça.

Em um painel no Senado americano, a ex-gerente de produtos do Facebook Frances Haugen afirmou que o Facebook frequentemente coloca seu próprio lucro à frente da segurança e da saúde dos usuários. Segundo Haugen, o design dos algoritmos da rede social faz com que frequentemente direcionem os usuários a posts de forte engajamento, que em alguns casos podem ser danosos a eles.

No domingo, a gerente de produtos havia se revelado como a fonte de documentos que estão no centro de uma série de reportagens do jornal americano Wall Street Journal sobre o Facebook.

No Senado americano, Haugen disse que o algoritmo do Facebook poderia direcionar rapidamente jovens usuários de conteúdo inócuo, como receitas saudáveis a conteúdo promovendo anorexia. Ela afirmou que o presidente e dono do Facebook, Mark Zuckerberg, deveria ser responsabilizado pelo impacto de sua empresa.

Na terça, o setor financeiro foi o de melhor desempenho no índice S&P, com alta de 1,78%. Empresas dos setores de energia e petróleo, assim como varejo, cruzeiros e aéreas também registraram altas.

Também na terça foi divulgado o Índice do Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) do Instituto para Gestão de Abastecimento relativo a setembro, que subiu de 61,7 pontos em agosto para 61,9 pontos, 0,2 ponto a mais do que o esperado.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano também teve uma alta acentuada, atingindo brevemente 1,56%, um recorde em três meses e meio. Temores sobre inflação continuam a pesar sobre os mercados globais.

A alta do rendimento dos títulos contribui para a retirada de investimentos sobre ações do setor de tecnologia com alto potencial de crescimento, já que taxas mais altas tornam a perspectiva de lucro futuro com esses papéis menos atrativa.

Ásia

As bolsas asiáticas tiveram em sua maioria quedas na quarta. No Japão, o Nikkei perdeu 1,05%; na Coreia do Sul, o Kospi recuou 1,82%; em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 0,6%. Na China continental, as bolsas permaneceram fechadas por conta de um feriado.

Europa

As bolsas europeias têm em sua maioria quedas nesta quarta em meio à alta do rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e temores sobre inflação, revertendo o sentimento observado no dia anterior.

O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os setores de 17 países europeus, perde 1,5%, com destaque negativo para papéis do setor de viagens e lazer.

Os principais índices chegam a cair mais de 2%, após números de vendas do varejo terem saído abaixo das expectativas na Zona do Euro e com preocupações sobre a crise de energia.

A Comissão Europeia defendeu, como resposta à crise do setor, que os Estados-membros da União Europeia (UE) devem aliviar temporariamente impostos às famílias e financiar pequenas empresas, anunciando ainda uma reforma do mercado do gás.

Já entre os indicadores, o varejo da zona do euro teve aumento de 0,3% em agosto ante julho, ante projeção de analistas consultados pelo The Wall Street Journal de alta de 0,8% nas vendas do período. Na comparação anual, as vendas do setor varejista do bloco ficaram estáveis em agosto. A Eurostat também revisou para baixo a estimativa mensal das vendas de julho, de recuo de 2,3% para queda de 2,6%.

Veja os principais indicadores às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos

*Dow Jones Futuro (EUA), -1,09%
*S&P 500 Futuro (EUA), -1,3%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,53%

Europa

*FTSE 100 (Reino Unido), -1,58%
*Dax (Alemanha), -2,38%
*CAC 40 (França), -2,28%
*FTSE MIB (Itália), -2,24%

Ásia

*Nikkei (Japão), -1,05% (fechado)
*Shanghai SE (China), (não abriu)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,57% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -1,82%

Fonte:https://www.infomoney.com.br/mercados/bolsas-caem-com-preocupacao-sobre-crise-de-energia-adp-nos-eua-varejo-no-brasil-e-mais-assuntos-que-vao-movimentar-o-mercado-hoje/