Desde o dia 1º de setembro, uma nova bandeira tarifária entrou em vigor nas contas de luz de todo o país, com vigência até abril de 2022. Denominada bandeira de escassez hídrica, o reajuste anunciado, em 31/08, pela Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, está acima da atual bandeira vermelha 2, representando um aumento de 49.6%.

O Brasil possui cerca de 50% de sua produção energética concentrada nas hidrelétricas. Quando há escassez hídrica, outros sistemas aumentam as atividades para evitar racionamento. Como foi o caso do anúncio feito em junho, quando o Governo Federal ampliou a produção de energia pelas termelétricas. Baseada em combustíveis fósseis, o sistema termelétrico é mais caro do que outras fontes renováveis como a solar, a eólica e a biomassa.

O acionamento das bandeiras tarifárias tem como objetivo remunerar o uso das termelétricas, com valores acrescidos a cada 100 KWh consumidos. Em retrospectiva, o Governo havia elevado o preço da energia elétrica quatro vezes apenas em 2021. No primeiro bimestre, iniciou com elevação de R$ 1,34, passando a R$ 4,16 em maio, R$ 6,24 em junho, R$ 9,49 em julho para os atuais R$ 14,20 a partir de setembro.

O agronegócio e a energia

 

A produção na agricultura e pecuária depende diretamente da eletricidade. A luz está presente em toda a cadeia produtiva do setor, necessária para o abastecimento de granjas, em modelos de bovinocultura de leite, na irrigação e até na agricultura de sequeiro. A tendência é que os reajustes realizados neste semestre sejam sentidos pelos consumidores nos próximos meses, com impacto direto na inflação.

Com a inserção mais barata no mercado e as mais diversas linhas de crédito, a energia solar tem sido uma saída estratégica para os produtores rurais no gerenciamento de gastos. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a Absolar, em 2020 a agropecuária representou 13,2% da potência instalada do país, um crescimento de 64% em comparação com o ano anterior.

O produtor rural e engenheiro agrônomo, Lúcio Valadão, fez a opção do sistema fotovoltaico há dois anos e meio e percebeu que o investimento está dando retorno antes do esperado, devido aos sucessivos reajustes nas contas de luz em 2021. De modo geral, o capital injetado para a inserção de um sistema fotovoltaico nas propriedades retorna em cinco anos após a instalação, o chamado payback.

“A gente sabe que está havendo um aumento ainda maior das tarifas, com o uso das bandeiras amarelas e vermelhas. Com isso, tenho uma expectativa que esse prazo de retorno sobre o investimento irá encurtar um pouco. Em torno de cinco anos o sistema se paga, aí fica girando sem custo de implantação. Estou sentindo que é real essa perspectiva”, relatou.

No ramo da fruticultura, o cultivo requer um sistema de irrigação por gotejamento, onde o consumo de água é reduzido, mas a eletricidade é vital. Durante a seca, a irrigação aumenta o consumo total da propriedade na conta de luz. Antes da instalação das placas fotovoltaicas, nos períodos sem chuva, a fatura de consumo de energia na propriedade de Valadão era por volta de mil reais, caindo agora para a taxa básica, cerca de R$ 20 mensais.

“Aqui são 10 hectares de área de fruticultura. Então o consumo de energia acaba se tornando bastante relevante no período seco do ano, onde a prática de irrigação é mais intensa, chegando a trabalhar entre 18 a 20 horas de gotejamento. É um sistema que consome pouca água, mas demanda energia para o seu funcionamento. A gente viu que nesse período, o consumo de energia era muito alto, a conta de luz acabava impactando bastante nos custos de produção. Então a opção de instalar um pequeno sistema fotovoltaico, deu muito certo, tem sido muito positiva”, comenta o produtor rural.

Para o projeto na propriedade de Valadão, foram instaladas 27 placas solares no telhado de um galpão na modalidade on-grid, ou seja, interligado à rede da concessionária. O excedente da produção energética, cerca de 20%, é utilizado para abater a conta de luz na residência de Lúcio Valadão na cidade, trazendo ainda mais economia para o produtor.

Bandeiras tarifárias

 

As bandeiras tarifárias servem como regulador indicativo do valor da energia e são gerenciadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No período de intensas chuvas, por exemplo, quando os reservatórios estão mais cheios e a produção hidrelétrica é suficiente para abastecer o país, a bandeira utilizada é a verde, sem reajuste no preço corrente das contas.

A bandeira amarela, primeira ativação em período crítico, aumenta a conta de luz em R$ 1,874, seguida da bandeira vermelha, divida em 2 patamares, sendo a vermelha 1 com ajuste de R$ 3,971 e a vermelha 2 no valor de R$ 9,492. Todas elas são acrescidas a cada 100 quilowatts gerado por hora. A nova bandeira está acima de todas as anteriores, com valor final a cada 100 KWh de R$ 14,20.

No cenário atual, o Ministério de Minas e Energia criou o Programa de Incentivo à Redução Voluntária. Os consumidores que alcançarem a meta de contenção de 10% a 20%, poderão usar um bônus de R$ 50,00 a cada 100 kWh, em suas faturas a partir de janeiro de 2022. O cálculo é feito com base na média de consumo nas unidades das categorias A e B – indústrias, comércios e residências.

Fonte:https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/especial-publicitario/top-sun/top-sun-energia-solar/noticia/2021/09/13/com-bandeira-tarifaria-mais-cara-energia-solar-e-alternativa-de-economia-para-o-agronegocio.ghtml