Diretor-geral de operações e inovação da Volvo no país, João Oliveira explica por que a sustentabilidade virou uma prioridade para a montadora sueca.

São metas que mostram o quão empenhada está a Volvo em ver práticas nocivas ao meio ambiente só pelo retrovisor. Até 2025, 50% das vendas globais da montadora sueca deverão ser de modelos totalmente elétricos e os demais, híbridos. O objetivo para até 2030 é produzir somente carros elétricos.

Já a meta para 2040 é transformar a companhia neutra do ponto de vista climático. “Para nós, a sustentabilidade é tão ou mais importante do que a questão da segurança dos veículos”, afirmou João Oliveira, diretor-geral de operações e inovação da marca no Brasil, no novo episódio do podcast ESG de A a Z.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,4 milhão de pessoas perdem a vida em acidentes de trânsito todos os anos. Mas o número de mortes motivadas pela poluição do ar é muito maior: são sete milhões por ano. “O clima e o meio ambiente são os grandes desafios de hoje”, completou Oliveira. “Para termos um planeta no futuro, para as próximas gerações, precisamos agir”.

Ele ressaltou que 100% dos veículos da Volvo à venda no Brasil já dispõem de pelo menos um motor elétrico. É um patamar que só outro país alcançou até agora: a Noruega. “Estamos bem avançados no caminho da eletrificação”, destacou o convidado do podcast, apresentado pela jornalista Gabriella Sandoval, de e.solutions, braço de projetos especiais da EXAME. “Todos os demais países ainda não atingiram a eletrificação total”.

Economia circular
Oliveira frisou, no entanto, que o adeus aos combustíveis fósseis só resolve parte do problema. “Precisamos olhar nossa operação como um todo”, afirmou. “Se uma empresa quer fazer negócios de maneira genuinamente ética e sustentável, precisa mapear toda sua cadeia de fornecedores, para ter a certeza de que eles não adotam práticas nocivas ao meio ambiente. E também precisa se preocupar com o impacto gerado na hora da produção e até com os insumos usados nos eventos de lançamento”.

Dito de outra forma: “Para a Volvo, a sustentabilidade não se resume à eletrificação”. Registre-se que, com a ajuda da tecnologia blockchain, a montadora rastreia até o cobalto usado na confecção das baterias.

XC40 Recharge: primeiro lote esgotado
Em junho, a Volvo Brasil deu início à pré-venda de seu primeiro SUV compacto 100% elétrico, o XC40 Recharge Pure Electric. Com autonomia de 418 quilômetros, ele foi desenvolvido para quem roda principalmente por regiões urbanas. As 300 unidades do primeiro lote foram vendidas em duas semanas. Do segundo, com 150 veículos, restam cerca de 70. As entregas começam em setembro.

Quem adquiriu o Recharge Pure Electric durante a pré-venda levou de graça o Wallbox, que transforma a garagem de casa ou do escritório em um eletroposto — com a instalação inclusa.

Localização de eletropostos
Convém explicar que não é indispensável obter o Wallbox para usufruir de um carro elétrico. “Daqui a pouco teremos mil eletropostos no Brasil, todos eles mapeados em ferramentas como Waze e Google Maps”, adiantou Oliveira. “Os motoristas não perdem nada ao comprar veículos do tipo”.

Na verdade, ganham. Com cada real gasto com o abastecimento de um veículo como o Recharge Pure Electric dá para rodar quatro vezes mais em comparação com o mesmo valor gasto com gasolina. “É uma economia considerável”, destacou o entrevistado, confirmando em seguida o lançamento no Brasil, no ano que vem, do C40. Derivado do XC40, será 100% elétrico.

Em outro trecho do episódio, o executivo afirmou que a marca não vê mais a necessidade de alardear para os consumidores brasileiros a importância de aposentarmos as emissões mais poluentes. “É uma barreira superada”, afirmou. “O que mais desperta o desejo dos consumidores, já percebemos, é a contribuição de nossos veículos com o meio ambiente e a alta tecnologia embarcada”.

Fonte: https://exame.com/negocios/como-a-volvo-se-tornou-lider-no-segmento-de-carros-eletricos-no-brasil/