O setor financeiro brasileiro está se preparando para a transição energética e as pautas ESG (critérios ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês) não só vieram para ficar como já começam a entrar na análise de risco dos bancos, diz Joaquim Levy, diretor de estratégia econômica e relações com mercados do Safra. Com ampla bagagem nos setores público e privado, o executivo se tornou um estudioso da temática sustentável há muito tempo. A despeito da postura pouco enfática do governo na defesa do meio ambiente, ele diz que a pressão da sociedade se impôs na agenda do Executivo na COP26, em Glasgow.

Levy também é otimista sobre o nível do debate público nas eleições presidenciais do próximo ano, e afirma que o eleitorado escolherá uma agenda de “esperança com pé no chão”. De acordo com o economista, há elementos para acreditar num arrefecimento da inflação, mas o Banco Central optou por um choque de credibilidade agora.

Valor: Como o setor bancário tem lidado com a agenda ESG? Os esforços para a transição energética são suficientes?

Joaquim Levy: Quando falo com os clientes, com o mercado de forma geral, esse tema é prioritário. O Brasil não tem o problema de financiar carvão, por exemplo. Enquanto na Europa essa é uma discussão importante, nós já superamos isso. Por outro lado, estamos superatentos ao compliance sobre desmatamento. Estamos focados em financiar energia eólica, solar. No Safra, estamos participando das discussões sobre como usar a CPR [Cédula de Produto Rural] Verde como um instrumento para que empresas possam fazer a compensação de carbono. Isso é um componente de política pública sensacional, que está no coração do que é o papel do setor financeiro. As discussões com alguns clientes com grande exposição à agricultura se transformaram em como usar recursos adicionais para investir em recuperação de pastagens degradadas, aumentar a produção sem desmatar. Não adianta só proibir, dizer que não vai financiar nada de um setor inteiro. Você pode estar tirando alguém que está fazendo um esforço maravilhoso. É preciso fazer uma ‘due diligence’ concreta. Assim como se faz análise de risco de crédito, é preciso fazer uma análise de risco ambiental.

Fonte:https://valorinveste.globo.com/mercados/noticia/2021/12/16/esg-ja-entra-na-analise-de-risco-de-bancos-diz-levy.ghtml