Projetos de energia limpa, como eólica, solar e biomassa, são cruciais para a diminuição da poluição e dos gases de efeito estufa, mas também precisam avaliar impacto ambiental
O mais recente relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), de maio passado, surpreendeu ao recomendar que não se expanda mais a produção de petróleo e gás. Seria uma forma de o setor elétrico dar uma contribuição relevante ao urgente desafio de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5 grau Celsius. O relatório traça um caminho para a neutralidade de carbono na geração de energia até 2050, fundamental para a diminuição do aquecimento global e de doenças respiratórias.

Professor de Economia da PUC-Rio, Sergio Besserman reconhece que a retirada dos combustíveis fósseis do setor energético global pode ser mais lenta que o desejado — afinal, a indústria do país foi significativamente construída à base de fontes poluentes. No entanto, ele aponta que sua substituição por fontes como eólica, solar e biomassa tem um papel importante no aumento da qualidade de vida das pessoas, para além de oportunidades econômicas.

Os combustíveis fósseis estão diretamente ligados às mudanças climáticas e à emissão de gases de efeito estufa. Se fossem retirados de nossa economia, teríamos um ar mais limpo e aumento da disposição para o combate ao desmatamento. Cidades menos poluídas representariam um ganho à saúde para pessoas com doenças respiratórias e imunológicas — diz o economista, que foi presidente do IBGE.

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Outro benefício, segundo Besserman, seria a redução de tragédias ambientais, como foi o caso da explosão de uma plataforma de petróleo no Golfo do México, em 2010, o maior desastre ambiental dos EUA. A mancha de óleo atingiu 1,7 mil quilômetros de praias, invadindo mangues e matando animais. O Brasil teve um desastre similar. O óleo vazado de um duto da Petrobras na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 2000, afetou ecossistemas, a saúde e o sustento de pescadores.

Efeitos colaterais
Embora sejam a melhor forma de gerar energia para o desenvolvimento econômico sem prejuízos para o meio ambiente, as fontes renováveis podem provocar efeitos colaterais em ecossistemas e comunidades em torno de suas estruturas instaladas. Por isso seu impacto ambiental e social também precisa ser criteriosamente avaliado nos projetos de energia limpa, em que o licenciamento ambiental também tem papel fundamental.

— O silício usado em painéis solares é adquirido pela mineração, uma atividade que provoca impacto ambiental em uma área muito grande, e ainda aumenta o preço daquele território. As torres muito altas de geração de energia eólica têm problemas de vibração e podem afetar a rota migratória de aves — destaca Suzana Kahn, vice-diretora da Coppe/UFRJ, que também foi vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Para Kahn, o Brasil deve investir em um sistema interligado entre diferentes fontes de energia, mas precisa avaliar como minimizar o impacto dos projetos. Professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo recorda como a construção de hidrelétricas na Amazônia, como Balbina, Belo Monte e Tucuruí, exigiu o alagamento de grandes áreas, ricas em fauna e flora. A edificação das usinas também provoca a desapropriação de áreas de comunidades que vivem dos recursos locais.
Fonte: https://umsoplaneta.globo.com/energia/noticia/2021/06/17/fontes-renovaveis-sao-caminho-para-o-clima-e-a-saude.ghtml