O Laboratório Criativo da Amazônia para Cupuaçu e Cacau (LCA CC) inicia sua fase de testes para implementar as primeiras biofábricas geodésicas no Pará

Inovação que vem da floresta e co-cria junto com as comunidades locais, apoiando-se na natureza para buscar soluções mais sustentáveis e que promovam menor impacto possível ao ambiente. É com esse foco que o projeto Amazônia 4.0 busca uma terceira via para o território amazônico por meio da bioeconomia. A iniciativa investe no desenvolvimento sustentável da maior floresta tropical do mundo, por meio da preservação de seu território, cultura e comunidades locais à medida que oferece valor agregado às matérias-primas regionais.

Co-fundado pelos irmãos Carlos Nobre, um dos mais respeitados e premiados estudiosos brasileiros do clima, e Ismael Nobre, biólogo, doutor em Dimensões Humanas dos Recursos Naturais pela Colorado State University (CSU) e atual líder da iniciativa, entre outros pesquisadores, o projeto está prestes a lançar suas primeiras biofábricas de Cupuaçu-Cacau. Parte do Laboratório Criativo da Amazônia (LCA), a produção do chocolate mais sustentável é o primeiro “filho” que o projeto deseja tirar do papel.

Terceira via
Ismael Nobre afirma que durante três décadas, duas visões de desenvolvimento circundaram a Amazônia. A primeira, baseada na necessidade de garantir a preservação absoluta de grandes extensões da floresta, e a segunda, baseada em uso intensivo de recursos naturais, por meio da pecuária, agricultura, mineração e geração de energia. Mas isso está mudando. “A terceira via busca conciliar a riqueza biológica com prosperidade financeira no mesmo local, incluindo as comunidades tradicionais nesse processo”, pontua.

O alinhamento entre ciência, tecnologia e negócios de impacto que garantam o desenvolvimento e a preservação da Amazônia foi o que norteou a criação da Amazônia 4.0 como caminho para destravar o potencial da bioeconomia da floresta, criar cadeias de produção locais mais justas e sustentáveis, gerar renda e melhorar a qualidade de vida da região. O estado do Pará, por exemplo, é o maior produtor de amêndoa de cacau do país.

Além de utilizarem painéis solares para garantir a energia solar fotovoltaica necessária, que é acessível e com bom custo-benefício, sem precisar de meios poluentes, as biofábricas também contam com o tratamento dos afluentes de água que são utilizados para evitar o impacto negativo ambiental. “Outro diferencial é que como estamos falando na Indústria 4.0, decidimos investir em uma tecnologia que fosse modular, flexível, leve e replicável em diferentes comunidades”, destaca Ismael.

Todas as máquinas são automatizadas, o que permite saber com antecipação quando é a hora de trocar uma peça ou quando alguma parte está danificada. Uma central será acionada para que haja tempo de ação entre descobrir o erro e levar uma peça nova até regiões remotas onde estarão as biofábricas.

Essas soluções viabilizam a construção das fábricas em qualquer lugar, sem que os desafios com transporte e acesso sejam um impedimento para possíveis reparos. Ismael Nobre também ressalta que outro elemento inovador é a sinergia com as comunidades locais, que participaram de todo processo criativo e serão capacitadas para a fase operacional.

Nesse sentido, o Laboratório Criativo da Amazônia para Cupuaçu e Cacau (LCA CC) iniciou nesta semana sua fase de testes e melhoramentos tecnológicos na sede do Projeto, no Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP), com uma equipe interdisciplinar de engenheiros de várias áreas, especialistas em chocolataria, gestores, biólogos, educadores e consultores que trabalham diretamente com Amazônia.

Fonte: https://umsoplaneta.globo.com/energia/noticia/2021/07/27/inovacao-que-vem-da-floresta-amazonia-40-inicia-teste-de-biofabricas-itinerantes-de-chocolate-e-cupulate.ghtml