Diante de tantos recursos naturais e de fontes renováveis, deveria ser quase impossível ter racionamento e apagão de energia no Brasil, mas estamos prestes a conseguir, de novo. Lembro de estudar na aula de geografia que 12% da água potável do mundo está no Brasil. Mesmo assim, sofremos com a falta dela anos atrás na cidade de São Paulo, cujo o plano de emergência incluía evacuar parte da cidade. Isso mesmo, evacuar, tirar os moradores. Se temos água potável, temos rios para a produção de energia através das hidroelétricas.

Brasil é o país do sol

Se olhamos para o céu, temos sol. Pouca gente sabe, mas o Brasil é o país de maior incidência solar do mundo. Nenhum outro lugar do planeta tem mais sol do que aqui. Assim como na nossa terra, tudo o que é plantado nasce, e placa solar gera energia em qualquer lugar. Por ano, o país recebe mais de três mil horas de luz solar. Apenas para efeito de comparação, na Alemanha, nação que mais utiliza energia solar, possui aproximadamente menos 40% de incidência de luz do que nós.

E também é um país onde venta muito

Quando pensamos em vento, o Brasil é a capital mundial do Kite Surf, esporte em que uma pipa puxa o atleta que está com uma prancha no mar ou em uma represa. Basta ver o que acontece no Nordeste para entender que neste país venta muito. Venta tanto que temos a segunda maior incidência de tornados do planeta. Não é à toa que nossa indústria de energia eólica exporta tecnologia para diversos países. Basta ver os motores da WEG (WEG3), reconhecidos internacionalmente como os melhores do mundo ou quando estamos nas estradas de São Paulo e observamos as pás eólicas gigantes no caminho para o Porto de Santos.

Como estamos prestes a sofrer um apagão?

Com tantos recursos naturais e de fontes renováveis, como é possível estarmos à beira de um apagão e racionamento, justo no momento em que a retomada econômica precisa acontecer e empregos precisam ser gerados?

Não existe um único fator, mas poderia ser evitado. Primeiramente é preciso entender que estamos na maior seca dos últimos 90 anos, isso explica 70% do problema que estamos vivendo, mas não tudo.

Existe um complexo conjunto de fatores, começando pelo Ibama que dificulta as licenças ambientais e não favorece os projetos de expansão da energia eólica. Para se ter uma ideia, 3% de capacidade de geração de energia de Belo Monte foram cortados por questões ambientais, o que faria uma diferença muito grande em uma crise como esta.

Outro ponto importante é que a geração de energia na última década foi ampliada, mas o armazenamento não. A energia eólica e solar, por exemplo, não podem ser  armazenadas, diferente de um reservatório de água ou até mesmo uma termelétrica.
Falando em termelétrica, precisariam ter sido construídas mais unidades movidas a gás natural. Tanto por uma questão de poluição, como também por custo. Gás é muito mais barato que o óleo diesel, isso porque em algumas usinas o combustível não chega por um oleoduto, mas transportado por caminhões. Veja o custo de logística. Uma simples greve causaria um estrago.

As linhas de transmissão, também não foram ampliadas. Poderia chegar mais energia do Nordeste para o Sudeste, se mais investimentos tivessem sido feitos. Este problema da seca vem se arrastando na última década e em 2020 já deu sinais que piora. As termelétricas já poderiam ter sido ligadas no ano passado, para preservar os reservatórios de água.

O Brasil, a exemplo do Japão, deveria ter incentivado o uso de energia renovável, tanto solar como eólica nas residências. Zerar o imposto e incentivar a indústria nacional são apenas alguns exemplos.

Fonte:https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/fabrizio-gueratto/crise-hidrica-apagao-brasil/