COP26 entrou na semana decisiva, e o maior desafio é regular o mercado internacional de carbono com a definição do texto final do artigo 6 do Acordo de Paris. De acordo com o economista Ronaldo Seroa, ex-diretor de Políticas Ambientais do Ministério do Meio Ambiente, que veio à Conferência do Clima, o Brasil pode liderar esse comércio, mas precisa de fato acabar o desmatamento ilegal.

“O país tem possiblidade de gerar excedente de créditos em grande escala e custos baixos. Mas é importante ter um acompanhamento com transparência dessas metas de emissões de carbono para o artigo 6 funcionar mesmo. O Brasil já domina o mercado de energia limpa, e só em reserva florestal domina 50% desse mercado. Por isso, deveria estar pensando grande e parar de pensar em receber poupanças”, disse.

Seroa enfatiza ainda que, após a regulamentação do mercado internacional, o Brasil precisa criar seu próprio mecanismo de governança climática. “A cada ano, é necessário fechar uma contabilidade e ter transparência. Não se pode sair vendendo qualquer coisa como no mercado voluntário. Temos que nos preparar para o mundo de carbono neutro, não apenas de baixo carbono. É possível fazer muito dinheiro ao se tornar uma economia de carbono neutro, mas é necessário credibilidade e cumprir as metas anunciadas”.

Semana passada, o governo brasileiro apresentou uma nova meta de redução de 50% das emissões dos gases associados ao efeito estufa até 2030 e a neutralização das emissões de carbono até 2050.

Fonte:https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/para-liderar-mercado-creditos-de-carbono-brasil-precisa-acabar-com-desmatamento/