Engenheiros de Santa Catarina estão transformando vento em energia de um jeito mais barato e simples do que as formas conhecidas de geração eólica.

Até parece brincadeira, mas é pura tecnologia. Para gerar energia eólica, não precisa de pás grandes e nem torres de transmissão; só de uma pipa, dessas de parapente.

O projeto vem sendo desenvolvido há quase 10 anos. Primeiro veio a fase de pesquisa na sala de aula. Depois, professores e alunos do curso de Engenharia de Automação transformaram em laboratório uma garagem que não estava mais sendo usada pela universidade. Era tudo que eles precisavam para criar o protótipo.

Uma parte da estrutura que fica no chão tem um gerador. A pipa está conectada à essa estrutura por um cabo enrolado em um tambor. À medida que ela ganha altura com a força dos ventos, o tambor gira e aciona o gerador. A pipa sobe até o comprimento máximo do cabo – demora uns dois minutos -, depois volta para o ponto de partida e o processo se repete. Ela pode ficar fazendo isso o dia inteiro e em qualquer lugar.

E nem se precisa se preocupar com os passarinhos, a pipa é programada para se desviar de todos eles.

“Esse equipamento é uma unidade de controle de voo. O objetivo dela é controlar o voo da pipa. Ela tem a função aproximada de um piloto de parapente e ela dá comandos para que a pipa faça curvas de maneira controlada”, diz o pesquisador Ramiro Saraiva da Silva.

Esse é o único grupo que desenvolve a tecnologia na América Latina. Os pesquisadores esperam produzir o equipamento brasileiro e vender nos próximos seis anos. Equipamentos semelhantes são produzidos em centros de pesquisa da Europa.

“A gente estima que a gente consegue chegar no mercado praticamente junto com os europeus. A questão que se coloca é a seguinte: quando essa tecnologia chegar no mercado, a gente vai comprar ou vai vender? Se for vender, a gente precisa investir a partir de agora”, diz Alexandre Trofino, professor da UFSC.

Fonte:https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/12/25/pesquisadores-desenvolvem-equipamento-mais-barato-para-produzir-energia-eolica.ghtml