Com os recorrentes incêndios e enchentes se espalhando pelo mundo e marcando a era dos extremos no clima, cada vez mais pessoas estão sendo obrigadas a lidar com o deslocamento de suas casas, com riscos de vida e com os impactos na natureza ao seu redor. A necessidade de políticas que abordem metas climáticas e desenvolvimento sustentável se tornou mais urgente do que nunca.

A revista cientifica Nature Climate Change publicou nesta segunda-feira (02/08), um novo estudo para combater a crise climática enquanto avançamos nas 17 Metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam (PIK), da Universidade de Potsdam e do Instituto Alemão de Desenvolvimento, desenvolveram uma nova estratégia que combina ação climática ambiciosa com políticas dedicadas ao desenvolvimento, acesso a alimentos e energia, equidade global e nacional e sustentabilidade ambiental.

O estudo foi divulgado às vésperas do lançamento do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), no dia 9/8, que reúne o estado da arte nas pesquisas científicas, técnicas e socioeconômica sobre mudança do clima, seus impactos e riscos.

Segundo a pesquisa publicada na Nature, um mundo que combate a crise climática enquanto melhora os 17 ODS é possível, mas é preciso recalibrar a rota. “As políticas climáticas são cruciais, mas por si só não serão suficientes para alcançar a transformação rumo a um mundo sustentável e próspero para todos”, destacou o cientista do PIK Bjoern Soergel, autor principal do estudo.

Segundo Soergel, nenhum dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável será cumprido até 2030 se o mundo continuar na atual trajetória. No documento, os cientistas apresentam um Caminho de Desenvolvimento Sustentável, ou seja, uma estratégia para proteger as pessoas dos efeitos da crise climática enquanto promove o desenvolvimento sustentável.

O estudo contempla desde a ausência de pobreza e zero fome até a ação climática e outros objetivos ambientais, já que muitas dessas metas interagem entre si e não podem ser consideradas isoladamente. Este “roteiro” também inclui medidas adicionais, como nutrição saudável, financiamento internacional para o clima e uma redistribuição a favor dos pobres das receitas obtidas pela precificação do carbono.

A análise evidenciou que a precificação das emissões de gases de efeito estufa e o uso de parte das receitas dos países industrializados para apoiar políticas de desenvolvimento sustentável em países de baixa renda beneficiaria tanto o planeta quanto as pessoas.

Para o co-autor do estudo Elmar Kriegler, é preciso “combinar a proteção do clima com uma ampla estratégia de sustentabilidade. Isto implica uma mistura de medidas políticas, com o preço do carbono como uma importante pedra angular, mas também inclui, por exemplo, políticas e medidas redistributivas para promover dietas saudáveis e sustentáveis e reduzir nossa demanda energética”.

Fonte: https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2021/08/02/precificacao-de-co2-deve-beneficiar-paises-de-baixa-renda-defende-estudo.ghtml