Batizado de FIP Carbono, o produto da casa de investimentos Vitreo e das contultorias WayCarbon e ForFuturing foi criado com a ideia de estimular essa modalidade de investimento no Brasil, ainda incipiente por aqui, mas uma tendência mundial.

O primeiro fundo de investimento em participações, chamado de FIP, de créditos de carbono do país captou R$ 51 milhões de 60 cotistas em quatro meses. Batizado de FIP Carbono, o produto da casa de investimentos Vitreo e das consultorias WayCarbon e ForFuturing foi criado com a ideia de ampliar a escala, a liquidez e a eficiência da formação de preços dessa modalidade de investimento, no Brasil ainda incipiente por aqui, mas uma tendência mundial.

Esse tipo de fundo concentra dinheiro de investidores institucionais e pessoas físicas profissionaisApós levantar os recursos, o fundo fecha para novos investidores, ou seja, não fica acessível em plataformas de investimento, e quem aplicou só pode resgatar o dinheiro em alguns anos (cinco anos, neste caso).

O FIP de créditos de carbono aplica em uma companhia, a Carbon Reset, que compra e vende créditos de carbono. Esses ativos representam uma tonelada de carbono que foi removida da atmosfera, de projetos, que podem ser ligados a redução de desmatamento na Amazônia, energia limpa ou troca de combustível, por exemplo.

Ou seja, essa companhia investida pelo fundo faz a ponte entre os projetos e as empresas demandadoras de créditos de carbono, que desejam ter um posicionamento claro de que estão combatendo o desequilíbrio ambiental e climático porque não conseguem zerar as suas emissões.

“A demanda crescente das empresas por créditos de carbono elevou os volumes transacionados e seus respectivos preços aqui e lá fora”, afirma George Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo.

Os investimentos no mercado de créditos de carbono avançam devagar no país, em meio ao crescimento da agenda ESG (sigla em inglês para as práticas ambientais, sociais e de governança) dentro das companhias e à necessidade global de transição para uma economia de baixo carbono.

O mercado de créditos de carbono ainda não é regulamentado no Brasil e esse debate é um dos pontos-chave da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021, também conhecida como COP 21, que deve acontecer em novembro. A legislação de diferentes países já determina que grandes empresas compensem suas emissões de carbono na atmosfera.

A Vitreo já possui um fundo de investimentos de crédito de carbono aberto em sua plataforma, um multimercado voltado a qualquer investidor, com aplicação mínima de R$ 1 mil. Contudo, o produto investe em ativos do mercado futuro na Europa, negociados em euros. O novo fundo é diferente porque ele investe no Brasil, em que o mercado ainda tem muito a evoluir, por não ser regulado.

Wachsmann diz que a casa pretende trazer o novo fundo para um número maior de clientes e que isso envolveria a emissão em uma oferta pública mais à frente para oferecer o produto para o público em geral, dependendo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), reguladora do mercado.

Para criar o produto, a Vitreo fez parceria com duas empresas da área de sustentabilidade. Uma delas, a Forfuturing, foi criada em 2018 para atender à crescente demanda de organizações que desejam fazer uma transformação sustentável. A empresa ajuda negócios adaptarem seus modelos e investimentos responsáveis.

Fonte:https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos/noticia/2021/09/30/primeiro-fundo-de-investimento-em-participacoes-de-creditos-de-carbono-do-pais-capta-milhoes.ghtml