Mercado de Créditos de CO2 em ebulição:

O lançamento do novo módulo ocorre às vésperas da COP26, cujo pleito de regulamentação global do mercado de créditos de CO2  tem movimentado uma série de ações de fomento a iniciativas de desenvolvimento de transações via mercados, com especial atenção ao nosso país, cujo potencial de geração receita de até US$100 bi até 2030 nessa área corresponde a 22% da demanda global estimada para o período.

Fato é que o crescimento da agenda ESG no meio corporativo e a necessidade global de transição para uma economia de baixo carbono que faça frente ao cenário de desequilíbrio ambiental e climático atual tem impulsionado as empresas a evoluírem seus planos de mitigação, adotando projetos de descarbonização alinhados às necessidades globais de redução de emissões de GEE.

Para reduzir ainda mais seu impacto, muitas empresas adotam a compensação de emissões – ou aquisição de créditos de carbono – como estratégia complementar para atingir suas metas climáticas.

Negociado em diferentes mercados atualmente, o preço do crédito de carbono atingiu pela primeira vez esse ano o preço de €50/tCO2 no mercado de comercialização europeu (EU ETS) – o principal mercado de créditos de carbono do mundo. Um estudo desenvolvido pela Emissions Trading Association (IETA), mostrou que esse valor pode chegar a quase €59/tCO2 entre 2026 e 2030.

Entenda o ciclo dos créditos de CO2: RECs – emissões, aposentadoria e alocação

Os inventários de GEE são ferramentas gerenciais que quantificam as emissões de GEE de uma organização, que aconteceram durante um período de tempo (fronteira temporal) e que são atribuídas a um conjunto definido de fontes de emissão (fronteira operacional). Como já mencionado anteriormente, um dos objetivos de uma organização com a compilação de um inventário pode ser a compensação parcial ou total das emissões de GEE por ele contabilizadas. A compensação é realizada a partir da aquisição (compra) de Reduções de Emissões Certificadas (RECs, ou CERs em inglês) e de sua “aposentadoria”.

As RECs são geradas por projetos que comprovadamente promovem redução de emissões de GEE (“projetos de carbono”), conforme as especificações de programas e iniciativas reconhecidas, tais como o Clean Development Mechanism (CDM ou MDL, em português) e o Voluntary Carbon Standard (VCS). As RECs representam a quantidade líquida de emissões abaixo da quantidade que seria emitida na ausência do projeto carbono. Por esse motivo, elas podem ser utilizadas para compensar emissões por outras organizações, cuja redução seja inviável técnica e/ou economicamente. As RECs são, portanto, ativos que são transacionados para viabilizar economicamente os projetos dos quais se originam. Assim, as RECs e a atividade de compensação de emissões são um instrumento de mercado que visa promover redução de emissões de forma custo-eficiente.

O CDM, VCS e outras iniciativas similares, além de proverem o arcabouço metodológico e procedimental para a implementação e monitoramento dos projetos de carbono, também possuem registros das RECs geradas (emitidas) e aposentadas. Nestes registros, estão escrituradas todas as informações referentes às RECs (e.g. números de série, projeto de origem, metodologia, vintage etc.). Os registros também possuem um conceito de “conta”, similar a uma conta bancária, que é utilizada para que as organizações possam guardar suas RECs. As contas podem receber RECs a partir de novas emissões (issuance) ou da transferência de RECs a partir de outra conta. As RECs podem ser transferidas para outras contas ou aposentadas.

A “aposentadoria” consiste na anotação da informação de que um lote RECs já foi empregado em uma compensação e que, portanto, não poderá ser novamente utilizada. Os registros de aposentadoria trazem, então, informação sobre o “beneficiário” e finalidade para a qual a REC foi aposentada. Em alguns casos, por razões comerciais e contratuais, compradores de RECs optam por aposentar grandes volumes antes mesmo que as emissões a serem compensadas tenham sido realizadas. Ademais, existem complexidades operacionais para a abertura e manutenção de contas nestes registros. Esses fatos, impedem que em algumas situações haja transparência, resolução e controle suficiente sobre a finalidade e as ações de compensação de emissões.

Fonte:https://tiinside.com.br/09/11/2021/waycarbon-lanca-modulo-para-ajudar-empresas-a-gerenciarem-seus-creditos-de-carbono/